O Baixista Treme-treme…

No final do ano de 2001 fizemos uma festa de encerramento na minha antiga escola. Foi muito bacana, pois fizemos uma audição aonde alguns alunos iriam se apresentar para todos que estavam presente. Tivemos muitos alunos se apresentando, uns em grupos e outros de forma individual. Estava tudo muito bem na festa muitos familiares e muitos convidados todos aparentemente curtindo as apresentações dos alunos. Lembro que alguns alunos que eram crianças estavam enfrentando bem o palco e outros um pouco mais tímidos e nervosos como já era de se esperar… Lembro que um aluno tocou uma música do Erick Clapton “Tears in Haven” e simplesmente por causa do nervosismo ele não conseguia terminá-la, acho que ele deve ter repetido a música pelo menos umas três vezes, e vocês não fazem idéia de como ele ria e tocava ao mesmo tempo!!! Mas o que ficou marcado para mim foi um aluno meu que já tocava na sua igreja todo domingo, e sempre que eu falava com ele nas aulas se ele estava preparado para tocar na apresentação, ele dizia que ia ser mole, pois como já tinha prática de tocar na igreja para ele não seria novidade, quando ele me dizia isso eu falava para ele:_É diferente tocar num palco onde todos estão olhando para você, na igreja a atenção está na música, as pessoas querem cantar e não olhar para quem está tocando, a não ser que seja um namorado ou namorada que está tocando ou alguém que se goste, pois bem. Eu escolhi uma música latina de um método da escola aonde ele iria se apresentar sozinho acompanhado por um playback com o instrumental da música. Chamamos ele ao palco ele pegou o baixo, parecia estar tudo ok, mas sua fisionomia já não era a mesma quando ele olhou para todos olhando diretamente para ele, quando soltaram o playback ele não conseguiu ouvir a introdução da música, e logo na introdução tinha uma convenção (detalhe) que ele tinha que fazer no baixo!!! Sem conseguir ouvir a introdução da música ele começou a tremer, suas mãos tremiam muito, mas para quem pensou que depois disso ele desistiu, errou feio, ele logo se achou na música e tocou a música toda sem mais nenhum erro e tremendo muito, sem parar até o final, foi uma grande prova de superação, eu já estava preocupado do meu aluno passar mal no palco, mas o cara agüentou firme e fez o que sempre falo para os meus alunos fazerem nessas situações. Errou? Se ache, levante a cabeça e não pare de tocar, ninguém vai começar a música de novo só porque você errou. Aprenda a improvisar nos erros e acertos que serão vários durante a sua vida. Nunca se faça de coitado porque não ouviu uma introdução ou porque não consegue fazer um exercício, ou por qualquer outra coisa, tente novamente, se ache, estude mais, você é capaz de fazer o que você realmente quiser fazer. Outra coisa que digo para os meus alunos é para nunca dizerem que isso ou aquilo é muito difícil, Tenho uma filosofia que é a seguinte: Se você começar a pensar que algo é difícil, esse algo acaba se tornando realmente difícil. Pense sempre de uma forma positiva e se sinta sempre capaz de realizar, ser coitado não é uma boa opção de vida. Erre, trema, tudo bem, o mais importante é nunca desistir dos seus objetivos.
Hoje quando encontro esse meu aluno nós rimos muito do que aconteceu, e ele me fala de como foi difícil tocar aquela música naquele momento e eu sempre dou a ele os parabéns pela incrível prova de superação que ele mostrou…
